E-BOOK MENINAS SUPER POÉTICAS

sexta-feira, julho 17, 2015

Mala de memórias





Sempre deixei pra trás um rastro
Uma mala cheia de lembranças
Já apanhei no infinito os fragmentos levado pelo vento

Já pisei nos passos deixado por outro
Já descansei debaixo da sombra de um cajueiro
Já contei as figas dele (flores-frutos)

Já apanhei castanhas em meio as folhas secas
Já usei um galo seco pra riscar o chão
Já gravei meu nome numa árvore

Já fechei os olhos e abri os abraços ao correr
Já virei a curva sem usar o freio
Já caí e ralei os joelhos

Já estourei pimenta nos olhos de forma acidental
Já chorei de saudade
Já fingir está com febre para chamar atenção

Já mendiguei um abraço
Já pulei corda e amarelinha
Brincadeira de roda e cai poço

Já pulei cerca e rasquei o vestido no arame farpado
Construí arapucas e tive êxito, embora tivesse sempre que soltar o pássaro
Já tive um macaco de estimação, um Bem ti vi e um Chico preto

Já contei as andorinhas que fazia verão
O gado branco malhado no campo
Já entrei num açude e já tirei água de poço

Já dormi na mata e visitei uma cacimba
Já vi calango entalado e morto no seu buraco
Já vi o vento dobrar a curva e beijar o rio

Nessa mala de memória vejo como num espelho do tempo
Os rastros e lembranças, esses que me devora de saudade
Já fui criança, e hoje sou adulto


Sempre deixei pra trás um rastro

Uma mala cheia de lembranças

Elizaete Ribeiro